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Consciência Negra e a Psicologia Antirracista: passos que vêm de longe


Publicado em: 20 de novembro de 2020

Relembrar, refletir, agir. Essa tríade verbal marca o Dia da Consciência Negra a cada ciclo de 365 dias, mas também deve ser prolongado para além de 20 de novembro, a fim de recordar que a democracia racial ainda é um mito em terras brasileiras, bem como para falar mais sobre o enfrentamento ao racismo estrutural presente na sociedade. O dia também é propício para fortalecer o questionamento: como construir uma psicologia antirracista?

A data foi selecionada na década de 1970 para marcar um símbolo de resistência: Zumbi dos Palmares, líder quilombola cujo assassinato ocorreu em 1695. Assim como os quilombos, a psicologia antirracista é uma maneira de resistir na conjuntura racista nacional, país em que 71,5% dos assassinatos tem como vítimas pretos e pardos, de acordo com o Atlas da Violência de 2018. Antes de se pensar em formas de luta na atualidade, no entanto, é preciso entender que os passos do antirracismo na Psicologia vêm de longe. Virgínia Leone Bicudo exemplifica essa realidade, enquanto precursora de estudos raciais na área da psicanálise. Neusa Santos Sousa, conhecida por mesclar a militância antirracista e o trabalho como psicanalista, é mais um exemplo. Ainda hoje, a obra “Tornar-se Negro” ressoa entre movimentos e na Academia, em especial por ter trazido reflexões sobre branquitude e racismo.

Um dos grandes desafios da atualidade para consolidar uma Psicologia antirracista, é a formação acadêmica. A temática étnico-racial deve estar presente nas grades curriculares, nos cursos de extensão e nos estágios. Para os profissionais já diplomados, a formação continuada e a tríade ação-reflexão-ação podem orientar os próximos passos. Seguir a RESOLUÇÃO CFP N.º 018/2002 também é um caminho importante para um comportamento proativo em prol de uma prática psicológica antirracista. Além da resolução CFP 018/02, psicólogas/os devem respeitar uma série de normas de atuação, relacionadas ao preconceito e à discriminação racial, baseadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, na Constituição Federal e em leis nacionais e dispositivos do Código de Ética Profissional do Psicólogo, considerando que “o preconceito racial humilha e a humilhação social faz sofrer”. Este, inclusive, foi o mote da primeira Campanha contra o Racismo, realizada pelo CFP, no ano de 2002.  

Reconhecendo a importância de orientar a categoria e a sociedade, o Conselho Federal de Psicologia, junto aos Conselhos Regionais de Psicologia, publicou, em dezembro de 2017, o documento "Relações Raciais: Referências Técnicas para a Prática da(o) Psicóloga(o)", como uma resposta às demandas do movimento negro para a produção de referências teóricas e que contribuíssem para a superação do racismo, do preconceito e das diferentes formas de discriminação.

Nós psicólogas/os precisamos refletir sobre a demanda atual da sociedade, a pandemia intensificou desigualdades sociais e  sobre a COVID-19, devemos nos questionar: quem realmente tem condições de aderir ao teletrabalho? Qual a raça, a classe e o gênero das pessoas que estarão mais vulneráveis à contaminação e a morte? Estes dados são importantes para se respeitar o princípio da equidade e da equidade racial no Sistema Único de Saúde, perante um quadro pandêmico.

Observamos que num momento cujas pessoas precisam se resguardar, o combate à contaminação da COVID-19 exige de nós estratégia de proteção, já conhecida pelo povo negro: o recolhimento na sua comunidade, no seu território. Numa perspectiva de aquilombação, façamos contato(s) com responsabilidade. Sabemos que a COVID-19 exige quarentena, e respeitar este momento é também ir contra a mortandade biológica e psíquica da população negra. Que não precisemos morrer para sermos lembrados.

Conscientização é o ato de compreender profundamente o mundo em que vivemos. Celebremos o Dia da Consciência Negra com a exigência de solidariedade, luta e aquilombação!

Acompanhe os vídeos da série "A Psicologia Antirracista é para todo mundo e se faz conscientizando" do CRP SP.

#ParaTodosVerem Imagem quadrada, de fundo laranja, traz ilustrações de figuras geométricas amarelas, azuis, laranjas e vermelhas, e punhos de diferentes tons de pele, próximos e cerrados. 


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psicologia antirracismo