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III Prêmio Arthur Bispo do Rosário - Categoria Poesias e Textos




III Prêmio Arthur Bispo do Rosário
Categoria: Poesias e Textos
Jurados: Ana Alice Francisqueti, Maria Heloisa Ferraz, Sylvio Coutinho.

 

Nome da Obra: Como Queira (1º Lugar)
Nome do autor: José Benedito da Silva (Kalazan)

Se pensa que morri
Olha eu aqui vivo
Como a carne da ferida na perna do mendigo

Se me quer caido
Olha eu aqui erguido como os pelos
Na pele do braço daquele que vai morrer de frio

Se me quer vencido
Olha eu aqui vencendo como o vencido
Que vence o vencedor convencido que
Não convence o vencido que o vence

Se me quer triste
Olha eu aqui alegre com o sorriso
Da mulher maluca sob o viaduto

Se me quer cativo
Olha eu aqui livre como
As palavras da poesia que o poeta
Ainda não pensou

Se me quer como você quer
Recuso-me a ser.
Eu sou o que sou

 


 

Nome da Obra: Despedaçada (2º Lugar)
Nome do autora: Neuza Dias

Extasiada, ergo meu espesso cálice
Paralelo a magistral ciência aprimoro a quimera
Brindo o instante assente lapso...
Não, não são lapsos, é um rasgo no tempo, que ressoa
no pêndulo do instrumento e o homem tem no momento
oxidados neurônios dentro da caixa do crânio
e tem um buraco na camada de ozônio.
Meia-noite
Meia-vida
Minha plástica é putrefacta
Parem
Parem as oscilações que degeneram
a prumo, eis o ferro do meu cálice
Á quem possa interessar
digo
Então quase todos partidos
Os meus raros dedos de vidro

 


 

Nome da Obra: Ausência (3º Lugar)
Nome do autor: Daniela Cintra

O eixo da emoção
com certeza está no coração vazio.
O corpo nu que se lambuza
na lama da existência
Sem procedência
Sem rumo
Com destino certo
Divino, fé
Mas com angústia que domina
Diante da magreza
De legiões ou matilhas
Lobos ou leões...
Quando será minha vez?
Escuridão...
É o 'mundão' de meus rebentos?
Há um outro lado
Dividido por uma parede de vidro
Que pode ser estilhaçada
A qualquer momento
Dança,
Vida normal...
Eu não conheço mais esse mundo!

 


 

Nome da Obra: Paixão e Ódio 
Nome do autor: Carlos Eduardo de Oliveira Paiva

Ela brilha, cintila e escorre suavemente
Mas no fim ela te prende
Te morde igual a uma serpente...

Quem é que grita de dor?
Para quem são as tristeza?
Quem está sempre brigando?
Quem tem preocupação?
Quem tem os olhos vermelhos e ferimentos sem razão?

Caí, me bateram e eu não sentia; me surraram e eu nem sabia
Quando é que acordei?
Eu de novo a procurei...

 


 

Nome da Obra: Memórias de um Suicida
Nome do autor: Celso Aparecido da Silva

As vezes a morte é a vida, para o final de um sofrimento, como fazer para esquece-la,
somente cegando meus olhos, para sua bela face não mais poder ver,
somente quebrando meus braços, para suave pele não poder sentir, o que fazer para esquece-la, somente arrancando minhas pernas para na multidão não mais te seguir,
somente estourando meus tímpanos, para sua bela voz não mais ouvir,
somente cortando meus pulsos, para o fluxo desta paixão se esvair, como fazer para esquece-la,
somente ceifando a minha vida para poder existir, e somente assim continuar a viver, “morto” para jamais lembrar de te esquecer, e quem sabe em outra vida te encontrar, te amar e viver.

 


 

Nome da Obra: O Abismo
Nome do autora: Ely Maria Mussi

Ver sem enxergar
Sentir sem perceber
Compartilhar sem ter
Doar sem ter prá quem receber
Chorar a dor do não ter

Partilhar com estranhos o sofrimento de
nossa alma e perceber que eles nos entendem
mais que os nossos, e nos são o que realmente precisamos:
respeito
entendimento
cuidado
amor
carinho
aproximação
olhar com ternura
conversar
cuidar
tratar
acreditar em nós
dividir a nossa dor
entender a nossa alma

Nesse mundo de desencontros, onde somos
rotulados de loucos pelos “normais”, realmente não sabemos
quem é quem. Pelas atitudes, os “normais” fazem danos piores
sobre os loucos; e sinto muito confuso e muita tristeza em tudo
e sinto muito confuso e muita tristeza em tudo isso.

 


 

Nome da Obra: Espero (dizer te amo)
Nome do autora: Elaine de Oliveira Pereira

Espero que não me entenda mal,
Pois o que sinto é normal
Espero que o que sinto é normal
Espero que me entenda bem

Que o que sinto não é de mais ninguém
Espero que tudo dê certo.
Que a estrada dê um percurso correto
Não há mais nada a falar,
O resto só tenho lhe dar...

 


 

Nome da Obra: Inspiração
Nome do autor: Elcio Bueno Murad

Elcio Bueno MuradBate inspiração
Pro poeta escrever esta canção
Imagina guerras
Imagina sonhos
E os passos percorridos pelo chão
Tudo para contagiar
Contagiar os diversos corações
Alegrar os entristecidos
Fazer viajar os desiludidos
Dando vida aos apaixonados
Na mente cônscia
Procura palavras pra compor seus sentimentos
Bate inspiração pro poeta escrever esta canção
Dando vida às marcas da mão
Apagando as pegadas do cão

 


 

Nome da Obra: O Homem
Nome do autora: Idinéa das Graças Resende

O homem é um ser vivo.
É místico, as vezes excêntrico.
É sedutor, inteligente, determinado.
As vezes, intransigente, amoroso.
É sábio, falso.
É construtor,
Foi um ser criado para procriar.
O homem, as vezes, é exterminador

 


 

Nome da Obra: Simplicidade
Nome do autor: Leo de Arantes Ramos

Ela é a mais simpática das belezas fatais.
Tem a simplicidade de um corte no dedo
ou de um tombo na calçada.
E no entanto – ah, no entanto! –
confundiria, com seus olhos,
um raciocínio socrático.

 


 

Nome da Obra: Odisséia no Espaço
Nome do autora: Maria Rosangela de Carvalho

Espaço = comunidade
Tempo = eu
Mundo = mundos
Idade = das estrelas
Colocação = você
Imagem = Deus
Costume = absorção de todos
Nascimento = Pátria (universo)
Multiplicar = pelo mesmo
Chave = dentro (herança)
Teoria = Relativo a tudo
Espaço dentro do tempo.
Raiz de tudo escrito,
sagrado a todos é sagrado a mim.
A mortalidade da idade.
Composição dos atos
o globo terrestre.
Física de nascimento
mundo ou evolução
criação, pessoas,
conhecimento de mim
continuação de conhecimentos
idas e vindas
passo de entendimento entre
eu e você.

 


 

Nome da Obra: Os Loucos
Nome do autora: Mariza Guaranha

Todos somos uns loucos
Para esta vida enfrentar
O mundo é confuso
E você não precisa
Se envergonhar
Mas tem que ser
Um louco feliz
E aos outros saber amar
Unas são loucos para cantar
Escrever ou até trabalhar
Outros são loucos perdidos
Que na vida só sabe matar
Uns são loucos pela profissão
Outros, loucos por as paixão
Como não ser louco nesta vida
Se não sabemos em quem confiar
Uns sorri em sua frente
Mas por trás quer te apunhalar
Como não ser louco nesta vida
Se é tão difícil com as pessoas lidar
Uns são loucos por dinheiro
Outros pelos companheiros
Uns são loucos pela luxuria
Outros pelas calçadas da rua
No fim somos todos uns loucos
Mas temos que ser loucos
Saudaremos sem ninguém prejudicar
E saber lidar com as pessoas
Que se julgam ser normais
Nesta terra não poderia estar.